Mande um e-mail
'Vem comigo procurar algum lugar mais calmo, longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita'
 


reporterpiNto@uol.com.br

Megeras
Q...P...M...
Não Discuto
Circo 81
...

 

 




Sexta-feira, Janeiro 26, 2007 :::


Caro Visitante

Este site foi desativado em meados de 2004, mas seu conteúdo continua todo à disposição logo abaixo.

Caso queira acompanhar por onde anda o Repórter piNto, saiba que agora ele atende por Monsieur Diaz.

Apareça lá! Abraços!


Tiago às 11:13 PM




Segunda-feira, Março 21, 2005 :::


Novo começo

Devido a apelos quase histéricos das viúvas do piNto, cá estou mais uma vez. Só que piNto não é mais um jornalista sem emprego como antigamente. Sou agora um mendigão maltrapilho, daquele tipo que pára o trânsito berrando, que dorme sob marquises e caga e mija ali mesmo.

Não, eu não sou isso... Quem é mais ou menos assim é o ridículo que sentou na fila de trás do cinema que eu fui ontem. Descontente com a pipoca e a conversa, o asqueroso ainda tirou as meias dos pés (que estavam sobre a minha poltrona).

Os chutes incessantes nas minhas paletas se ritmavam com a barullheira da maravilhosa película que passava na tela (Constantine, sim!, fui ver esta merda!).

Contabilidade do dia:
1. Um cigarro fumado a seco graças à falta de gente pra atender no bar do cinema (um resto de suco ficou por 20 minutos na minha frente);
2. Um filme clichê (mistura de tudo que está na "moda": anjos, demónios, códigos, efeitos matrix, exorcismo, etc.);
3. Um par de pés absolutamente desconhecido a menos de 30 centímetros do meu nariz;
4. Quinze minutos parado numa mesa de Habib's sem receber um "oi".

Como já dizia Jorge Ben: "O mundo é bom, as pessoas é que são ruins".


Tiago às 5:21 PM




Quarta-feira, Abril 07, 2004 :::


Sonhos de Bunker Hill

"Fiquei só de cuecas e deslizei para o meio das cobertas do divã do estúdio, dobrando os braços atrás da minha cabeça, esperando que ela aparecesse. Eu não tinha nada a dizer. Decidi deixar por conta dela. Finalmente ela emergiu, vestida em seu traje de dormir, minha presença inesperada irritou-a. Ela havia lavado o cabelo, lavado o penteado, e seu cabelo pendia em fios úmidos. Seu rosto estava limpo, lavado e enrugado.
- Por favor, saia - falou.
- Sinto muito.
Ela atravessou até a janela e a escancarou. O frescor da noite soprou para dentro, vindo da encosta. Sem uma palavra, ela juntou minhas roupas, meu casaco e calças, minha camisa, meus sapatos. Primeiro pensei que ela estivesse arrumando. Em vez disso, virou-se para a janela e jogou tudo fora, na escuridão da noite. Pulei da cama e corri para a janela. Vi minhas roupas lá embaixo, esparramadas pelo terreno coberto de ervas daninhas. Era uma inclinação bem íngreme. Meus trajes espalhados pareciam cadáveres. Minhas calças pendiam do galho de uma árvore. Fuzilei-a com o olhar." (p. 78)




Tiago às 12:57 AM




Sexta-feira, Abril 02, 2004 :::


Naked Lunch

"Mark is standing in the doorway. He wears a turtle-neck black sweater. Cold, handsome, narcissistic face. Green eyes and black hair. He looks at Johnny with a slight sneer, his head on one side, hands on his jacket pockets, a graceful hoodlum ballet. He jerk his head and Johnny walk ahead of him into the bedroom. Mark follow. 'All right, boys', she says, sitting down naked on a pink silk dais overlooking the bed. 'Get with it!'

"Mark begin to undress with fluid movements, hip rolls, squirm out of his turtle-neck sweater revealing his beautiful white torso in a mocking belly dance. Johnny deadpan, face frozen, breath quick, lips dry, remove his clothes and drop them on the floor. Mark lets his shorts across the room. Now he stand naked, his cock stiff, straining up and out. He run slow eyes over Johnny's body. He smile and lick his lips. (p. 82)




Tiago às 12:38 AM




Quinta-feira, Abril 01, 2004 :::


O Erotismo

"(...) O erotismo dos corpos tem, de toda maneira, qualquer coisa de pesado, de sinistro. Ele dissimula a descontinuidade individual e é sempre um pouco no sentido de um egoismo cínico. O erotismo dos corações é mais livre. (...) Ele pode se separar completamente do erotismo do corpo, mas, então, trata-se de exceções de maneira a conservar a grande diversidade dos seres humanos. (...)" (p. 32)




Tiago às 1:49 AM




Sábado, Dezembro 06, 2003 :::


Partículas Elementares

"Tomado de estremecimentos de êxtase, ele fechou os olhos. O ronco submarino era infinitamente calmante. Quando os lábios da garota atingiram-lhe a raiz do sexo, começou a sentir-lhe os movimentos da garganta. As ondas de prazer intensificaram-se; sentia-se ao mesmo tempo embalado pelos turbilhões submarinos; de repente, teve um calorão; ela contraía suavemente a garganta; toda a energia dele afluiu, de um golpe, para a genitália. Gozou num urro. Nunca tinha sentido tanto prazer." (p. 152)

"Annabelle ajudou-o a despir-se e masturbou-o lentamente para que pudesse entrar nela. Michel não sentia grande coisa, exceto a suavidade e o calor da vagina. Parou, rapidamente, de mexer-se, impressionado com a evidência geométrica do acasalamento, maravilhado também com a flexibilidade e a riqueza das mucosas. Annabelle beijou-o e envolveu-o com os braços. Ele fechou os olhos, sentiu mais fortemente a existência do próprio sexo, recomeçou a ir e vir. Pouco antes de ejacular, teve uma visão - extremamente clara - da fusão dos gametas e, em seguida, das primeiras divisões celulares. Parecia uma fuga para a frente, um pequeno suicídio. Uma onda de consciência percorreu-lhe o pênis. Sentiu o esperma saltar. Annabelle recebeu-o com um longo suspiro. Ficaram imóveis." (p. 296)




Tiago às 10:59 AM




Quarta-feira, Novembro 12, 2003 :::


Vendo
Quem quiser encomendar livros - principalmente importados e em outras línguas - pode entrar em contado com o piNto aqui. "Estaremos" direcionando uma proposta com os itens de seu interesse. Sem compromisso. De qualquer lugar do Brasil, viu?

Lembrem-se: não existem novos livros. O que existe são livros ainda não lidos.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

A partir de amanhã piNto vai trazer trechos calientes de obras literárias diversas, devidamente acompanhadas de um link direto para o livro.

Não é bom isso?


Tiago às 9:43 PM




Domingo, Novembro 09, 2003 :::


piNto no covil das Megeras

Foi ontem. piNto esteve lá e ainda é o mesmo inocente de antes.

As megeras são gentis e dóceis como Hilda Hilst, a gata, que dorme em cima do monitor e ameaça se jogar pela janela do sétimo andar se estiver aberta.

As megeras não são megeras. São magérrimas. E cheias de segredos, mistérios e piadas internas. Um piNto comum entende, numa estimativa otimista, 50% do que elas conversam. E é o bastante para ficar à vontade e rir, e até falar.

As megeras guardam surpresas - comem pizza de quatro queijos e compram coca normal para quem não gosta de coisas light.

As megeras são modernas. Mas piNto, não querendo assumir o papel do troglodita boca-de-gamela, vai parar por aqui. Não que tenha acontecido algo caliente, algo explícito, algo extenuante. Não. Nem no template delas piNto pôs a mão.

O silêncio é só porque elas são senhouras discretas. Amigas. Elegantes. Educadas.

Mais detalhes? Viajem no tempo, se quiserem. piNto foi, vocês não. Seus ãrrrghh.


Tiago às 10:49 AM




Sexta-feira, Novembro 07, 2003 :::


Breaking Interview

A partir de um dado momento, a solidão bate. O canto do piNto precisava de um toque mais sério, alguém que de vez em quando quebrasse a inépcia desse lugar. Ou fizesse parte dela por um dia.

Pois então. Enquanto a Repórter Checa não chega (sua origem será mantida em sigilo), piNto lança uma série de entrevistas que começa hoje e não faz a menor idéia de quando haverá uma próxima - se houver.

Adotamos essa linha editorial semi-anarquista porque somos irresponsavelmente esdrúxulos e não agüentamos mais o ritual jornalístico ortodoxo.

Para inaugurar essa pouca-vergonha moralista, o convidado é uma figura tão controversa quanto obscura. Debateremos se contraversão requer o obscurantismo ou o obscurantismo prevê a contraversão e vice-versa assim por diante toda a vida.

O cara é um psiquiatra. É de Goiânia, se chama Fernando e se quiser saber mais sobre ele, vai aqui, ó.

piNto: Por que você resolveu ser psiquiatra? Algum problema com o pai, com a mãe?
Pra quem não sabe, psiquiatra é médico, especializado em psiquiatria. Eu fiz medicina de bobeira, menos por vocação que por outros motivos. Achei o curso legal, mas não era tanto o que eu gostava: filosofia, psicologia, literatura, estas coisas. Aí quando passei pela matéria de psiquiatria, no 5o ano de faculdade, encontrei uma coisa que realmente me interessava, pois era muito interessante, fiquei fascinado pela loucura, queria entender, pensar, e desde então não parei mais. Meus pais são quase "normais", não teve a ver com problemas com eles.

piNto: Tudo bem. Paremos de falar do senhor. Afinal, psiquiatra nenhum fala de si.
E quem iria querer pagar pra me ouvir? As pessoas querem é falar. Falar já resolve boa parte dos problemas. Eu, particularmente, não gosto de falar se não sou perguntado, acho que só quando perguntam é que querem saber e irão mesmo ouvir. As coisas que eu preciso falar, falo pra mim mesmo (em silêncio - não falo sozinho na rua).

piNto: O senhor consegue observar no seu consultório se os homens estão brochando muito?
Sim, mas não costumam ir diretamente no psiquiatra. Vão primeiro ao urologista, clínico geral, tentam negar que é um problema psicológico, que estão sem vontade mesmo, ficam procurando causas físicas.

piNto: Qual a principal queixa dos homens, porra?
A grande maioria da clientela é mulher, especialmente entre 30 e 50 anos, em relacionamentos ruins. Não que os homens não tenham problemas, eles só não procuram ajuda - por orgulho. Os homens têm umas queixas mais direcionadas para a falta de sentido que percebem em trabalhar, trabalhar e ver a vida passando.

piNto: O senhor vê os homens brocharem no consultório... deve ter ouvido falar em fio terra.
Claro.

piNto: O que a psiquiatria diz sobre? Ajuda mesmo? É bichice?
Ajuda o que? Fio terra não é tratamento pra nada, hahaha! Sobre ser problema: pra gente, problema é o que te traz transtorno ou para alguém. Se você gosta, se sua mulher gosta de fazer, divirtam-se. Mas que é meio bichice, é! Mas como diz um conhecido meu: "Quem não é meio bicha hoje em dia???"

piNto: Dessa não precisávamos, por favor. Mas, aproveitando... é verdade que todos os psiquiatras são bissexuais?
(risos). Não sei, não. Não conheço todos.

piNto: Psiquiatras dizem que uma pessoa em cada quatro tem problemas da cuca. É sério? Até que ponto?
É sério. Porque nesta matemática entra desde transtornos mais graves até coisas mais leves e comuns, como depressão e ansiedade.

piNto: É verdade que os psiquiatras não falam até que o paciente comece a falar porque vocês realmente não têm o que dizer?
A mesma resposta de antes: quando querem ouvir, falamos, temos o que dizer.

piNto: O que o senhor aconselha para aqueles que são feios, pobres e têm pau pequeno? Como eles podem encontrar a felicidade?
Cada mão tem sua luva. Pare de sonhar com a Luana Piovani, olhe a seu redor e vai achar algo interessante. Não tão interessante, mas ainda assim interessante. Boa parte do sofrimento das pessoas é o apego ao que não é realizável. A realidade só é ruim enquanto achamos que é.


Tiago às 12:00 AM




Quarta-feira, Novembro 05, 2003 :::


Behave yourself, dear

Três caninanas querem manipular piNto como nunca se viu nem em revista de mulher pelada. Elas estão publicando, voltimeia e por partes, um manual prático para aquilo que elas chamam (ou sonham) de bofe bem.

O bofe bem (ui) é aquele cara todo cool, que não existe (elas sabem disso) - a não ser os que entubam a brachola ou os que pilam o cocô.

Estou me referindo a uma turminha da pesada, apesar de serem todas magérrimas. Além de fiapos, são do tipo falantes, que não sossegam enquanto não convencem o juiz e o bandeirinha de que estão cobertas de razão.

Literalmente. Pelo menos duas são advogadas.

piNto: - Ticcia, vocês metem medo.
Ticcia: - Sabe que já nos disseram isso? Mas por quê?

Eu é que vou saber?!

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Mais uma coisinha


Tá, elas são bem-humoradas (e bonitas e dinheirudas). Mas querem dominar, assim não pode.

Têm que dar o braço a torcer um pouco (isso elas não dão).

Lá tem algo tipo "lave o piNto nem que seja na pia".

Na pia??? Pô, só falta dizer que pode ser na da cozinha.

Meninas, já ouviram falar em "prazo de validade"?

Venceu, tomou banhinho. E deu.

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Ante coisa


Tá, entrei no jogo delas, eu sei.

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Tiago às 11:13 AM




Terça-feira, Novembro 04, 2003 :::


(Sem título)

Não dá mais. Essa história de acharem que está ótimo e, no fundo, está péssimo. Revirado. Esbugalhado.

Essa história de parecer leve, flutuante, sorridente. À merda, que se fôda.

Tem dias que são assim, tem dias que não. Dificilmente é assim, e quando é, tem que ser. Não adianta.

Tudo bem? Tudo ótimo. Que bom então.

Tudo bem? Péssimo. Então te fode, não tou nem aí pra ti.

Porra, é assim? É, é assim. Não sabia? Não ensinaram pra ti, papai e mamãe não? Ah, que pena! Vai sofrer mais, desgraçado. Vai apanhar pra aprender. E talvez não aprenda, animal.

(Sem título)

Tem gente que ri hahahahaha. Os que riem hehehehehehe riem hahahahaha sem problema. E os que riem hahahahaha poderiam rir, na verdade, kkkkkkkkkkk.

E se rir huahuahuahauah é mais potente, daquelas gargalhadas que só quem fuma consegue, então podia ser um pouco mais alto, mais enfático, poderia ser HAUHEUHAUHEU.

Agora tem uma coisa. Os debochados, fumantes ou não, e aqueles que tapam a boca pra rir - mesmo que ninguém esteja olhando - , riem hihihihihihihi. Vai dizer?

(Sem título)

Tiago às 2:30 AM




Domingo, Novembro 02, 2003 :::


Curto e grosso (e editado)

Os caramujos são moluscos, segundo o Biólogo.
A ilustração é do Veríssimo.
Alguém sugeriu que se faça um blog Repórter Xexeca.
Para soar mais delicado, vai se chamar Xibiu do Povo.
E que os mortos descansem em paz.


Tiago às 2:33 AM




Sexta-feira, Outubro 31, 2003 :::


Caramujos

Lesma inLesma outLesma inLesma out

Não, ai ai ai. Nunca pensei, que coisa. Chega disso, sai daí. Ui, já disse: pára.

O caramujo é um crustáceo (estou certo, biólogo?) muito safado. O mais. Sabe como eles procriam? É legal, parece trenzinho.

Eles fazem fileirinha. Um gruda na bunda do outro. Vários se grudam um no outro, sabe por quê? Eles são ambíguos. Dúbios. Sabe cumé? É... exatamente.

O bichinho tá nem aí. Curte o trenzinho numa boa. É molhadinho.

Ai pára. Chega. Fala assim não. Bicho nojento, lesma. Então quer dizer que eles engancham e fazem trenzinho e tão nem aí? Ãham.

Vâmu vê quem ri sozinho, ô lesma. Ninguém ri sozinho. Tem que ter dois(uas) ou mais pra dar uma risada gostosa. Em cima, embaixo, não interessa. Os scargots são in e out.

Ai, que safado, piNto. Você não era assim.


Tiago às 12:40 AM




Quinta-feira, Outubro 30, 2003 :::


Por trás

Olhando aí embaixo não vi nada que esclarecesse um pouco do que trata esse troço aqui, ou algo que fizesse menção aos honrados leitores. É hoje e só.

Bom, eu sou o piNto, mas o piNto não é EU. Há um autor por trás disso, obviamente, mas ele não interessa. Quem escreveu os textos publicados abaixo foi esta pessoa não mencionada aqui. Entretanto, quem cuida deste blog é o piNto, e não ele.

Clarifico: existe uma pessoa e uma personagem. Pode parecer óbvio, mas serve para deixar explícito que os EUs deste blog não são nem piNto nem a pessoa que o criou.

Complicado? Pois é, mas é isso.

Quero agradecer às visitas, aos comentários, às risadas solitárias, enfim, de Daniella Castanheira, Zoé, Surreal Girl, Julia, Ticcia, Fal, Mah, aos novos amigos Maris e Fernando, e a todos aqueles que invadiram meu pedaço, assim, sem mais nem menos.

Sintam-se à vontade.


Tiago às 2:01 AM




Terça-feira, Outubro 28, 2003 :::


(des)Contentamento

Casa trabalho. Trabalho casa. Sexta. Casa carro, carro bar. Mulheres mulheres. Um doze anos. Uma loira. Uma morena. Bunda larga, cabelo ruim. Feia. A loira lá. A loira aqui. Em casa? Um prazer.

Bar carro. Loira carro. Boca loira. Língua ouvido. Calor. Casa. Loira. Língua, aaaahssim.

Soneca.

Madrugada. Olho aberto. Não pisca. Olha a loira. Banheiro. Ducha. Loira acordada. Carro loira, casa da loira. Tchau. Sem telefones.

Outro dia.

Casa trabalho. Trabalho casa. Telefone. Amigos. Amigas. Amiga. Amiga? Casa amiga. Amiga casa, conversa solta. Um beijo, o beijo? Provocação. Abraço leve. Provocação passada. Recordação não passada. Boca, língua, tudo. Ainda amiga?

Casa trabalho. Trabalho casa. Telefone.

Punheta não. Puta. Carro puta, punheta cara. Puta casa, puta vida. Dinheiro. Mais dinheiro. Mais puta. Mais mulher. Som alto. Festa. Pessoas. Risada alta. Mais alta.

Silêncio. Sala escura. Vazia. Uma cadeira. Um abajur. Uma pessoa.

Cigarro.


Tiago às 1:00 AM




Segunda-feira, Outubro 27, 2003 :::


Pacutiguibê iaô

CD que reúne dois discos: Underground e Marku, disponível no Submarino por R$ 16,90


Praticamente ninguém conhece
Marku Ribas, a não ser o Ed Motta:


"Com a música ultraoriginal de Marku Ribas, temos a oportunidade mais uma vez de constatar a efervescência musical brasileira. Um gênio que sempre foi cultuado por poucos, mas que finalmente vem reconquistando a cada dia novas audiências ávidas por sua alquimia musical única."


Orange Lady

Foi lá pelas três da manhã
Que tudo começou
A orquestra foi logo parando
E todo mundo levantou

Era Orange Lady que chegava então
Toda descabelada com a faca na mão
Gritando o nome do Juca que na confusão
Se mandava de leve lá pelo portão

Escuta aí seu moço, não faz isso não
Usando meu dinheiro pela Conceição
Eu sou de Bom Jesus da Lapa e por favor
Não me faça ir contra as leis do meu senhor

Não me faça pecar não
Não me faça isso não
Leve o meu dinheiro não
Não, não, não, não

A coisa ficou preta dentro do salão
Foi um deus-nos-acuda nessa confusão
Garrafa de cerveja já voava então
E o coitado do Juca de calça na mão

Sentia que era hora de se despedir
Sabia que o portão não iria se abrir
E eu por precaução peguei meu violão
E após Orange Lady e pude ouvir então

Bem mais alta no salão
E chegava no refrão...

Não deixa ele levar o meu dinheiro não
Segura esse moço no portão Tião
Não deixa ele levar o meu dinheiro não
Segura esse moço no portão Tião


Ouça trechos na loja. Ou inteiras nas festinhas na casa do piNto. Rá.


Tiago às 2:10 AM




Sábado, Outubro 25, 2003 :::


Ãhn?!

Já viu que o tamanho do post é inversamente proporcional ao número de comentários?

Bom, mas não há a preocupação desenfreada com o "Ibope" aqui, piNto. Ainda mais em fim de semana. Ah, então tá.

Tarde, né? Não, cedo. Meio-cheio, meio-vazio. Sei lá.

Ali tem coisa hoje. E daqui pra baixo tem coisa que não envelhece, porque é de mentira.


Tiago às 3:00 AM




Sexta-feira, Outubro 24, 2003 :::


Ex-coristas

- É a menopausa, só pode ser.
- Mas tu me empresta um cheque, Jéssica? Eu preciso fazer o teste.
- Deixa de ser louca, Bruna. Uma velha como tu, grávida. Vai criar vergonha na cara.
- 52 e meio, cinco meses mais nova que tu.
- E com quem foi? E sem camisinha, Bruna!
- Jura que não conta pra ninguém? A Bia não pode saber, de jeito nenhum! Nem a Judith! Moralistas, elas e os chuchus na cerca.
- Ai ai ai, Bruna. O que tu tá aprontando...
- Tá bom, Jéssica. Tá bom. Mas não vem querer me encher de culpas. Tu pediu, vai levar. É com o sobrinho do Otávio, aquele meu vizinho de porta, sabe? Ele é advogado, e nos encontramos há umas duas semanas descendo a escada do prédio. Ele tava todo perfumado, precisava ver. Quando abriu a porta da rua ele perguntou onde eu ia e antes de eu responder ele me ofereceu uma carona. Aí eu não podia dizer que eu ia jogar buraco na tua casa, né Jéssica. Eu disse que eu ia pra PUC.
- Pra PUC? Fazer o quê na PUC?
- Eu disse que eu faço Direito. Sei lá, eram umas seis da tarde, foi a coisa que me veio na cabeça e eu tive que dizer. Imagina, buraco na tua casa, Jéssica. É o fim. Nem me lembrava mais como atiçar um homem.
- Atiçar, Bruna? Ele acha que tu é uma velha rica e quer se aproveitar! Uma passa de uva!
- Deixa eu contar, se não não conto mais. Ele falou que tava indo para aqueles lados e eu não pude negar. Tinha que ver o carrão preto dele, acho que era um Chevrolet, desses enormes, sabe? Ele abriu a porta e tudo. Quando girou a chave, me disse que ia passar na casa de um amigo antes, se eu não me importava. Tudo bem, eu disse, mas ele disse isso e colocou a mão na minha perna e apertou de uma maneira carinhosa, só tirava a mão dali pra passar a marcha. Ele foi tão carinhoso.
- E ele te deixou na PUC, e aí?
- Que PUC o quê. Motel, Jéssica. Com cascata, peixinhos e espelhos, um luxo!
- Não pode ser verdade. E o amigo?
- Foi junto.
- Eu não acredito! Os dois? Só pode estar doida pra fazer uma coisa dessas agora.
- Deixa disso, Jéssica. Velha é tu. Quadrada. Mas isso com os dois foi naquele dia, só. Agora é um de cada vez. Não deu muito certo, eles não têm muita intimidade, enquanto eu fazia com um, o outro ficava olhando, foi muito estranho pra mim. Queria os dois ao mesmo tempo.
- Eu ainda não acredito! E agora, como é que é?
- Ele passa todas as terças lá na casa do tio dele, aí a gente vai prum motel, sempre um diferente, e depois ele me deixa na porta da PUC e pego um táxi e vou pra casa. Ou pra tua, jogar buraco.
- E o amigo dele?
- Nas quintas. Ai, ele é lindo! É administrador de um escritório contábil na Carlos Gomes. Dos grandes.
- E vem pedir um cheque pra mim, pobre velha.


Tiago às 2:13 AM




Quarta-feira, Outubro 22, 2003 :::


piNto entrevista: Desocupado

Amargar na fila do desemprego é pior do que estar desocupado. Estar desocupado significa algo além de não ter um trabalho, um contrato de prestação de serviços, um emprego, carteira assinada. Quer dizer, literalmente, que a pessoa não tem ocupação - ou seja, nem emprego nem o que fazer da vida. A principal diferença entre os tipos é que o desempregado está na fila para conseguir um emprego, e o desocupado não se preocupa mais com isso. É o que afirma nesta entrevista exclusiva o desocupado N.F.N. (iniciais fictícias), há 13 anos sem fazer nada.

Fazer o quê numa situação dessas? Nada. O ser desocupado até dispõe de alguma criatividade, embora muitas vezes não se dê conta. Não consegue pensar numa saída para tal situação, porque tal situação, para o desocupado, não existe. É manobra dos bem-sucedidos. Desocupado que se preza, quando muito, dá uma espiada pela janela, fala com um vizinho, futrica a vida alheia - essa, a ocupação máxima (muitas vezes preferida) do desocupado. Embora digam que o desocupado exerça algumas atividades, como coçar ou dar nós nos pêlos púbicos, por exemplo, nem isso ele faz, se for dos originais.

O desocupado geralmente tem alguma fonte de renda que lhe garante a sobrevivência. Uma herança, um aluguel, uma mesada, uma pensão são bons exemplos. A única moral que existe - cabe salientar, para os desocupados, segundo levantamento - é a dos bons costumes. Este ser não tem histórias interessantes para contar. Não tem nada além de lamentações e comentários a respeito da última rodada de bingo que participou - antes de se tornar um desocupado, claro. Nem se dá ao trabalho de ter vergonha na cara por não fazer absolutamente nada.

Para o ser desocupado, a auto-estima é a pose que faz pelado na frente do espelho. Os amigos do desocupado pensam que está tudo bem, afinal, quem toma banho quente e come pizza nesse país (porque tem dentes, é claro) já é um privilegiado.

Você conhece algum? É difícil achá-los. Eles não estão por toda parte. Há os que enganam muito bem, mas não são desocupados originais. Fazer um desocupado xiita falar é um grande desafio.


piNto: Como o senhor começou sua "carreira"?
N.F.N.: Antigamente, eu costumava ser desempregado. Meus amigos perguntavam "como é que você vai?", e eu respondia: "ainda desempregado", ou "procurando emprego", essas coisas. Enganava eles quando respondia "na procuradoria". Se assustavam, achavam que eu tinha virado funcionário público!

piNto: Quando o senhor se deu conta de que pertencia a um outro gênero de pessoas, os desocupados?
N.F.N.: Foi quando eu recebi um convite para trabalhar.

piNto: E qual a sua reação?
N.F.N.: Tristeza profunda. Disse não, bem alto.

piNto: Qual foi o motivo mais preciso da tristeza?
N.F.N.: Não sei explicar. Não sei. Na verdade, eu nem consegui me acostumar com a idéia de organizar os colegas ainda, porque os desocupados não podem fazer nada, não podemos mover uma palha.

piNto: Então o senhor sabia que os desocupados já estão se organizando sem o senhor?
N.F.N.: Saber eu sei, mas não posso fazer nada. Se eu fizesse, não seria um desocupado. Esses desocupados organizados deslegitimam o movimento. São uns fracos.

piNto: Qual uma boa razão para o senhor se organizar?
N.F.N.: Não sei explicar. Acho que para reivindicar aposentadorias por invalidez, pensões, telentregas mais baratas, bingos com bifê, essas coisas. Tudo para continuar a não fazer nada.

piNto: O senhor encontra resistências quanto à opção pela vida de desocupado?
N.F.N.: Muitas.

piNto: E o que o senhor faz? Como reage?
N.F.N.: Nada. Esse é o lema.

piNto: E sexo, nem pensar?
N.F.N.: Oral, quando oferecido.

piNto: O senhor é feliz?
N.F.N.: Sou. Fico emocionado ao ver o movimento intenso pela janela, pela TV. Acho linda a atividade, ao contrário do que muitos pensam a respeito de nós, os desocupados. Mas não deixa de ser amarga a vida dos que pairam nas filas de emprego. Isso é muito pior do que ser desocupado.

piNto: E como o senhor consegue ficar sem fazer nada, já há tanto tempo?
N.F.N.: É muito simples. Basta ficar parado. Tudo chega até você.

piNto: O senhor conhece o movimento dos bem-sucedidos contra os desocupados?
N.F.N.: Conheço. Querem nos botar para baixo, nos ridicularizar. Mas não vamos deixar. Não haverá reação. Responderemos com o silêncio. Aliás, eu não deveria estar dando essa entrevista. Com licença.

piNto: Espere um pouco, ainda não acabou.
N.F.N.: Esperar eu posso. Eu adoro esperar. A espera é o melhor momento para se fazer nada. Você não acha?

piNto: O senhor acaba de fazer uma pergunta.
N.F.N.: E você, de dar um fim à sua entrevista.


Tiago às 11:10 PM


Bundões

Onde estão os bundões? Tem certeza que não sabe? Você pode ser um, o que é, de longe, muito pior. Não se sinta ofendido, não é nada pessoal. Pelo contrário, é radicalmente coletivo. É uma revolta individual com um coletivo disforme, intangível e pouco ou nada interessado em transformação. piNto virou bundão escrevendo isso, mas acredite: é preciso ser bundão para deixar de ser. Se souber que é, tá bom demais. Meio caminho andado.

Sabe aquela resposta que se dá a perguntas tipo perfil, como "se você pudesse mudar o passado", ou "qual sua maior frustração"? E o sujeito diz "gostaria de ter tido o mesmo conhecimento da vida que tenho agora quando era jovem". Ou seja, a criatureca queria ter sido menos bundona e só foi descobrir que a vida não era tão séria depois de velha! Pelo menos se deu conta, é verdade.

O bundão acha que os outros fazem cagada, quando na verdade quem mais se culpa pelas cagadas que faz é o bundão. O que mais incomoda, a cagada ou os efeitos da culpa que se carrega dela?

Entendeu? Quando o bundão não caga na entrada, caga na saída.

Que bobagem. Mas é sério.


Tiago às 12:50 AM




Segunda-feira, Outubro 20, 2003 :::


Emergente

Pô, legal isso. Agora piNto consegue entender que a audiência é excitante.

A indicação do BloggerMan é a mesma coisa que achar uma nota de cinco cruzeiros no meio de um livro velho. O sujeito sabe que ganhou alguma coisa, mas não sabe bem o quê. Deve ser sorte.

O assunto do piNto seria os bundões - não fosse o furor orgástico propiciado pelos novos visitantes. Nada de glúteos grandes, não. piNto é o novo emergente, e hoje é dia de falar coisas agradáveis, leves. Os bundões que esperem.

Duas ou três explicações:

Thankyou Dad é uma área de links, nada mais. Uma espécie de "Favoritos" online particular de lambuja.

Notícias piNtorescas - pelo visto, a principal razão do "sucesso" - traz dia sim dia não notas noticiosas. A diferença é que essas notas dizem respeito a assuntos que piNto - com um canudo de jornalista enfiado na goela - acha relevante ou a coisas que o próprio piNto desocupado garimpa.

E só. Muito prazer, piNto, jornalista, desempregado (dado importante quando se tem audiência elevada), freqüentador de oficina literária, futuro filósofo - e não falósofo, por favor.

¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Dica piNtoresca de cinema: Paulinho da Viola. A dica vem de um jovem músico gaúcho, muito promissor. Aqui tem uma resenha de um de seus recitais. Vai lá.

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Costumava ter umas historinhas safadas por aqui, alguém as quer de volta?

(Ps. Elas já estão de volta, lá embaixo)


Tiago às 11:46 PM




Sexta-feira, Outubro 17, 2003 :::


Pode falá, quero vê fazê

Nunca se viu tantos programas na televisão que falam abertamente sobre a coisa.

No Noite Afora, apresentado pela ex-modelo e 'titia' Monique Evans na Rede TV!, tinha uma menina de 20 anos, uma lá que participou dum programete global, e a titia perguntou "quantas vezes você já usou essa pexerequinha?".

A moça disse "uma". E eu acreditei!

Confissões Sexuais, no GNT, mostra um monte de gente que centraliza o mundo na satisfação sexual.

Sue sei lá o quê, também no GNT, é uma velhota que recebe ligações telefônicas e responde dúvidas relativas ao balacobaco.

Dr. Jairo, aquele da MTV, também se especializou no papo.

Marta Suplicy, prefeita e xexecóloga, sabe das coisa também.

Dr. Bayard retém os segredos do pênis grandis et erectus.

Repórter Pinto não sabe de nada, fica vendo programas pra se instruir. Mas arrisca dizer que a geração dos vinte e poucos de hoje fala mais do que já se fez em décadas anteriores. Como diria Chico Anysio, com Paulinho, no grupo Baiano e os Novos Caetanos: "Tá tudo aí, para quem quiser ver".

Ah, não esqueça de dar sempre uma passadinha ali ó, nas piNtorescas.

Bom findi. Faça bastante (o que bem quiser).


Tiago às 4:50 AM




Quarta-feira, Outubro 15, 2003 :::


Re-intróito

Repórter Pinto. Depois piNto reports. O que fica menos pior?

Pensando bem, é mais coerente, num blog chamado repórter pinto, falar de sacanagem. De maneira alguma é o órgão sexual, é só um sobrenome muito popular, poderia ser Silva, tranqüilamente. Que coisa.

E pode ser o filho da galinha. E pode ser um pejorativo, até em inglês pode-se usar pinto pra chamar fulano de beltrano e vice-versa. A mesma palavra, porém pronunciada píntou. Hey, pinto!

Enfim, nada mais desagradável que ficar pensando em pinto como se fosse o que vocês tão pensando. Nada mais clichê. Nada mais entusiasta do falo (tirando os obeliscos e as colunas dóricas, jônicas e faraônicas).

O pinto renasceu. Tá quebrando a casca pra só depois chocar. Sem pílulas, é o pinto nos anais blogueiros.


Tiago às 1:00 AM




Sexta-feira, Outubro 10, 2003 :::


Crise

Não abandonei. É que fica meio chato ficar colocando coisas pra sabe-se lá quem. Ninguém deixa comentário nem nada, como é que eu vou saber que vocês vieram aqui?


Tiago às 3:29 AM




Sexta-feira, Outubro 03, 2003 :::


Almoço Primaveril

Ele lançou o convite. Ela disse Claro que vamos. Fui obrigado a ir com ela.

Ele era o amigo dela. Ela era a minha namorada. O convite era um almoço na casa dele. Eu não gostava dele. Ainda não gosto.

Acordei e tomei dois Dorflex com um litro e meio d'água. Meio-dia eu liguei. Ela já estava na casa do Jorge, o amigo. Um outro amigo deles se intrometeu na conversa, de longe, e gritou Vem logo, se não a gente vai comer tudo. Sim, inclusive a minha namorada. Pude ouvir risadas ao fundo. Qual é o endereço?

A rua era numa zona valorizada da cidade. O prédio, novo. Último andar. Saí do elevador e Jordana, a namorada, me esperava na porta, com a parte de cima de um biquíni e uma saia, rindo e segurando a porta para não bater com o vento. Como foi a noite ontem?, perguntamos ao mesmo tempo. Boa, respondemos. Fui numa festa com os guris e acabei dormindo aqui, ela contou. Foi quando entendi a frase "o sangue sobe para a cabeça". Ela queria brigar. Era só eu contar que tinha jogado sinuca e "enchido" a cara. Entramos. Ela me mostrou a parte de baixo do apartamento. Quando chegamos no quarto do dono da casa, continuou. Olha esse colchão, deita aqui um pouquinho. Vou só sentar. Ela já estava enrolada no edredon quando me contou, devagar, Tive que dormir aqui, o outro quarto está em obras. O quê?

Ela levantou e andou até a escada. Mas como? Agi como manda o protocolo moderno, descolado. A cabeça latejava. Oi, tudo bem?, cumprimentei todos. O todos era Jorge, o dono da casa, e Pedro, o amigo do grito no telefone, e mais um casal. Havia uma mulher, pelo menos, no meio daquelas pessoas. Duas na verdade. Uma me enganou, pensei à primeira vista que fosse um homem. Tinha o tórax liso e grande, não parecia haver seios. Estavam à vontade em volta da piscina, no terraço.

Fazia um solaço naquele primeiro domingo de novembro. Tocava alguma coisa do Pet Shop Boys. Jordana se sentou onde provavelmente já estava, e eu me encostei no parapeito, atrás dela. Todos de óculos escuros. Por alguns instantes, para quebrar o gelo e a raiva, divaguei sobre a nossa condição, minha e de Jordana. Somos o único casal normal aqui. Todos riram. Mais cedo ou mais tarde vocês vão cansar, ouvi. Devem ter achado ridículo o que eu disse. Pedro entrou, foi cortar os vegetais da salada, saltitando, com Jorge ao seu lado. Marjorie e Lúcia seguravam a mão uma da outra e seguiram a conversa com Jordana.

Fiquei sério e contribuía para a conversa com monossílabos quase afônicos, acompanhados de uma frase de três ou quatro palavras não mais sonoras. Não se falou sobre o que cada um fazia na vida, coisas que desconhecidos se perguntam até se sentirem mais confortáveis para outras intimidades e até pequenas sacanagens. A intimidade parecia realmente existir entre todos, sem eu nunca ter visto aquelas pessoas.

Jordana começou a falar sobre topless. Marjorie e Lúcia eram adeptas, mas sinceramente não tinham o que mostrar. Jordana tinha um par de seios lindos, meus. Duros, empinados e naturais. Lúcia cogitou colocar silicone. Marjorie desaprovou. Eu aprovei. Foi o momento em que mais falei naquele domingo. Jordana reclamou que detestava os triângulos brancos em cima dos mamilos. Esse sol está queimando muito, vou aproveitar e fazer aqui mesmo. Tu não te importa, né? Jordana estava falando comigo e eu não tinha percebido. Ela nem esperou minha resposta e, quando vi, puxava o tope do biquíni. Aqui, gata? Que inocente. Ficou com as tetas de fora na frente das duas, que elogiaram, até demais, os peitos da minha namorada. Olharam o tempo todo, cuidei. Eu a abracei por trás, enchendo as mãos com os "meus" seios.

Venham, está na mesa, chamou Jorge.

Comi em silêncio. Nunca quis tanto ir embora sem provar a sobremesa. Depois dela, Marjorie e Lúcia ligaram o motor da Jacuzzi. Jorge e Pedro se enfiaram no banheiro, no mínimo, em consideração a mim. Senti que o almoço primaveril do Jorge poderia desandar para uma suruba. Ainda se fosse uma suruba decente, com pessoas normais, tudo bem. Mas eu nunca saberia agir naquela situação, e, na verdade, nem numa suruba decente. Chamei e Jordana desceu comigo até o andar de baixo do dúplex. Vamos embora agora, disse a ela ainda na escada. Ela me pegou pelas cadeiras, sem falar, e me beijou. Passamos pela cozinha e fechamos a porta da despensa. Como se precisasse.


Tiago às 2:19 AM




Sexta-feira, Setembro 26, 2003 :::


Folhetim (2ª parte)

(ao ler o nº 2 de qualquer coisa, geralmente se recomenda a leitura do nº 1)

André vai de carona com Ana até o supermercado. Na despedida, um beijo seco. Um até mais, a gente se vê. Ahã. André salta do carro, arruma o fundilho da calça e abana. Não ia ao supermercado. O psicanalista era perto, e não quereria entrar no assunto com Ana. Já sabia dos problemas de Ana com o pai, por isso não a namorava. Ana procura um pai, ou no caso da Pri, uma mãe. Não, para André o próprio drama familiar rende umas boas horas à psicanálise semanal. Com Ana, seriam duas, talvez três vezes por semana. Nem pensar namorá-la.
- Oi Rafael, tudo bem?
- Tudo.
Sempre houve um silêncio até alguém começar a falar nas sessões entre os dois.
- E aí? - questionou o psicólogo mestrado em comunicação. - Como anda a vida?
- Tudo bem, tudo indo - diz o cliente, não, paciente, rindo, pressupondo que o psicólogo sabe que não está tudo bem, não.
- Mas me conta, e aqueles teus planos de arranjar emprego? Lembra? Não vai sair dessa vidinha, André?
- Olha, Rafael. Eu já não andava muito contente com a nossa terapia e não quero vir aqui pra ser xingado.
- É só uma pergunta. Tentou arranjar um emprego?
- Não quero falar sobre isso.
- E sobre o que você quer falar, André? Alguma coisa mais importante?
- Eu tava com a Ana agora.
- Que bom pra ti. Há tempos tu não fazia sexo, né? Quem é a Ana mesmo?
- A Ana, nunca falei da Ana pra ti? Ela é pirada, chegou às três da manhã na minha casa e queria uma recepção calorosa. Senti que não era o clima, sabe?
- O que aconteceu? Vai dizer que...
- Porra, nada disso.
- Que foi então?
- Ela falou uma coisa sinistra agora de manhã, não sei por quê ela me contou que deu uns beijos numa amiga ontem. Na Pri, uma gostosa amiga dela.
- Tá, e o que tem isso? Como tu vê o homossexualismo?
André hesita.
- Eu sei que na época do Calígula a bissexualidade era considerada normal e que todo mundo trepava com todo mundo, mas sei lá. Ela parecia mole, gosmenta.
- Ih André. Sai dessa, cara. Quantas menininhas bonitinhas, patricinhas, que tu nem imagina, fazem a mesma coisa...
- Sério? Tipo o quê?
- Ih. Algum problema com a Ana?
- É, ela mentiu pra mim. Ela disse que foi só um beijo, mas falou também que não foi a primeira vez.
- E tu quer namorar com ela?
- Não.
- Então qual é o problema?
- Ela chegou na minha casa com um bafo. Acho que era de xexeca.
- E tu não gosta de xexeca?
- Não tem um café pronto aí?
André ejetou-se da poltrona e foi até a minicozinha do consultório. O consultório era mini também. Fumou uns cigarros, contou sobre entrevistas de emprego, sobre o estado de saúde mental da irmã e da mãe, dos surtos de hipocondria da avó. No relógio pendurado atrás da poltrona do analista marcava onze. Quarenta e cinco minutos tinham se passado desde a chegada.
- Eu queria mesmo era comer as duas, juntas.


Tiago às 3:29 AM




Sexta-feira, Setembro 19, 2003 :::


Folhetim (1ª parte)

A campainha toca. São três da manhã. A Mari ou a Ju, será? O porteiro nem anuncia pelo interfone, quem sabe prevê uma surpresa agradável? Lavou o rosto e engoliu um filete magro de pasta de dentes, vestiu trajes um pouco maiores que a cueca e nem pensara no perigo que uma visita inesperada no meio da noite pode trazer. Pelo olho mágico, escuridão. "Quem é?", "Quem é?". E nada. Ao primeiro barulho das chaves, "Sou eu", responde a voz sussurrante colada na porta, há dificuldade em dar as voltas na fechadura. É Ana.
- Isso são horas?
- E tem hora certa pra chegar aqui? - ela diz, colocando os braços nos ombros dele e tirando a sandália de salto muito alto.
Beijam-se. Ela não abre os olhos enquanto fala ou beija, nem enquanto tira o calçado. O beijo é parado, como se ela estivesse apenas dando a boca para ele beijar. Mas ela o empurra para baixo, senta-se ao chão, jogando-se para trás de barriga para cima ao lado dele em seguida. Ana não move um músculo da face para beijar, enquanto ele, já em cima, beija-a de olhos abertos e sem muita, digamos, vontade. Ele poderia falar beijando, mas parou de beijá-la e disse ajoelhado, com o rosto apoiado na clavícula dela:
- Onde é que tu andava, essa roupa de festa...
- Tava com a Pri, sabe a Pri? E com a Ju e a Helena.
- Não leva a mal se eu te pedir uma coisa?
Nesse instante, os olhos dela se abrem, os músculos faciais se movem, e ela mexe no cabelo, tudo pela primeira vez. Senta-se de lado, ajeita a saia como se de uma hora para a outra quisesse esconder a calcinha, e então responde:
- Não, fala.
- Não quer tomar nada, escovar os dentes?
- Por que? Bebi demais, sei. Muito forte o cheiro?
- Não leva a mal?
- Não, fala.
- Tu tá com um bafo de oncinha.
- Obrigada por ser tão direto.
Ela levantou, tropeçou na alça da própria sandália já fora do pé e caiu, levantou de novo, com a ajuda dele, foram ao banheiro, ela escovou os dentes com a escova dele e, com a boca cheia de espuma, olhou para ele, riu e jogou a escova na pia e partiu para cima dele, violentamente, com um beijo. Caminharam pelo apartamento grudados pela boca, bateram nas paredes do corredor e, na cozinha, ela se ajoelhou no tapete e queria, ali mesmo. Ele não, nem foi ao chão, de onde ela espichava os braços tentando puxá-lo. Ele convida, contrariado:
- Vamos pro quarto, é melhor lá.
Ela, estirada num pedaço do tapete da cozinha com as pernas dobradas e abertas, roça o os anéis nas lajotas do chão e grunhe:
- Não, aqui...


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨


Ana e André eram amigos, apenas. Conheceram-se por ocasião do aniversário de um amigo em comum. De manhã, no quarto, abraçados na cama, acordam. Juntos. Se apertam.
- André...
- Fala.
- Eu fiquei com a Pri ontem.
Silêncio. Ela segue:
- Dei uns beijos nela, fala alguma coisa.
- Na Pri? Como assim? Vocês se beijaram, na boca?
- É, a gente tava na fila do banheiro, logo antes de chegar aqui - ela diz, dando uma risada.
- E alguém viu?
- Acho que uns caras viram e ficaram rindo... - Ana ri, vermelha.
- Eu ficaria louco se visse! A Pri é uma gostosa mesmo, não tinha como resistir.
- André!
- Calma, não vou pedir pra tu chamar ela contigo da próxima vez que tu aparecer aqui em casa.
- André..., já tinha acontecido comigo antes..., não foi a primeira vez.
- Ah não?
- Não... No colégio eu tive um casinho com uma colega. Mas depois nunca mais aconteceu nada.
- Tá, mas... e tu gosta só de... o que te dá mais prazer?
- Ah, André. Eu faço mais com homem do que com mulher. Nem vem.
- E foi bom com a Pri ontem? Tu e a Pri... quem ia dizer.
- Ah... Por isso eu vim pra cá ontem, fiquei louca - e passa a mão dos ombros ao púbis dele.
- Tu não tava pensando na Pri o tempo todo, não é possível. Mas aquele teu bafo ontem... foi só um beijo mesmo?
- É.
Ela levanta, vai ao banheiro sem se cobrir. Ele, deitado no próprio braço, mira o infinito.


Tiago às 5:11 AM




Quinta-feira, Setembro 18, 2003 :::


Estatuto piNto

Sergio Lima/Folha Imagem


Esse negócio de estatuto ou seja lá que nome se dá a um conjunto de regras, compromissos, responsabilidades tá com cara de continência. O piNto não tem contrato com ninguém. Não está atrelado a países, a presidentes ou a facções. Muito menos a um monte de dinheiro ou a regalias de qualquer natureza.

Porém, para organizar a vida, o Homem criou o estatuto. Hei-lo.
1. Serás leve como um arquivo de texto qualquer;
2. Tenderás à horizontalidade;
3. Falarás sobre assuntos amenos e pudicos;
4. Copiarás e colarás apenas o indispensavelmente necessário;
5. Não divagarás sobre pássaros cantando nem sobre o clima nem similares;
6. Não escreverás estatutos ou similares;
7.

Se você observar discordância com quaisquer dos itens acima, fique frio.


¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Alguém pensa em estatutos num lugar desses?

Freguesia do Santana, Ilha Grande, RJ


Tiago às 4:20 AM




Terça-feira, Setembro 16, 2003 :::


Para beijar e comer no cinema

convite sobrando


É muito difícil não se criticar um filme inspirado numa obra universal, como é o caso de Dom, o filme, e Dom Casmurro, o romance imortal de Machado de Assis. Também é muito difícil não contar as partes mais importantes do filme ao comentá-lo. Mas se eu não tivesse assistido, leria o que vou escrever. A obra machadiana é tão "amplamente" conhecida que posso adiantar alguns comentários básicos.

O filme é chato. Não gostei. Digo o seguinte: os personagens do filme não só comentam a obra de Machado de Assis como zombam do próprio desconhecimento dela, chamam Bentinho de "corno", numa das interpretações mais populares para o desfecho. O livro é tema central no filme o tempo inteiro e, mesmo assim, o Dom interpretado por Marcos Palmeira não consegue se lembrar que está repetindo a tormenta do ciúme por Capitu. O personagem, num universo tão próximo à história de Dom Casmurro, bem que podia ter aprendido com o livro, se este fosse melhor incorporado ao filme. Mas não. Enfim. Pelo visto, é mais um filme "apoiado" sobre um clássico da literatura.

Digamos que para não contar quem morre e quem sobrevive eu tenha que dizer que há um problema de verossimilhança interna no filme. Ih. Os pobrema.

Qualquer um pode desconfiar da Capitu, Maria Fernanda Cândido. Ela mandou muito bem na eterna ambigüidade da personagem.

O que: "Dom"
Estréia: 19 de setembro
Diretor: Moacyr Góes


Outras coisas sobre o filme:
Warner Bros.
Globonews
Reuters

A obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, para download:
Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro


Tiago às 3:14 AM




Domingo, Setembro 14, 2003 :::


Inoperância

Para quem anda reclamando da "inoperância" do Pinto nos últimos dias, passou o onze de setembro, o dez de alguma coisa e mais um doze que já é treze e nada, o troço do Pinto continua parado, já não rende mais como rendia antigamente.

O que me fez vir a este "coreto" virtual hoje foi um blog duma megera magérrima que insiste naquele regimezinho sem pretexto de magra com complexo de gigantismo (a subversão, essa sim, é gigante no blog). Mais precisamente o texto A minha vizinhança é uma coisa (21h05min de terça, 8 de setembro) em que a megera Ro é confundida por um vizinho com a amiga que latiu para o namorado de madrugada na sala dela. E gosta. Au-au.



Tiago às 10:46 PM




Terça-feira, Setembro 09, 2003 :::


Frase do dia

"São pouquíssimas as pessoas que riem sozinhas e não são loucas."

Para enfeitar o cocô, ainda tem uma crônica absurda do Repórter Pinto publicada hoje nesse site moralista asqueroso.


Tiago às 3:22 AM




Quinta-feira, Setembro 04, 2003 :::


Reação em cadeia

Estava Pinto dominando o universo virtual, vi dois blogs realmente bons hoje, e me deparei com um assunto em vários lugares não muito visíveis ao "internauta de portal".

Flash Mob, ou mobilização relâmpago, instantânea.. Estão pululando por aí os movimentos rápidos, tanto por causas nobres comandadas por gente embasada quanto bobagens non-sense para atrair os olhos do big brother.

Imagine 200 pessoas mugindo em frende ao Burger King de Auckland, Nova Zelândia, por um único minuto, devidamente sincronizado. Sei lá por que, eu não tenho nada contra kings e burgers e flashmobs (ainda).

Por um momento, fiquei impressionado (não queira ver o nariz de um Pinto impressionado) com a organização, mas logo vi que a coisa no Brasil engatinha. Há uma enquete no site dos flashmobs brasileiros que pergunta "você acha que deve ter sentido a mobilização ou deve ser non-sense mesmo?".

Tudo muito novo, inexplorado, mas que tem coisa pra se fazer, ahhh tem. Pacificamente, é claro. Esse é o mote. Uma delas seria pegar um chá da Academia Brasileira de Letras, reunir alguns malucos (blogóticos ou não) na frente murmurando "quero geton, também quero um getonzinho", por um minuto. E dispersar.




E por aí vai.

Post scriptum: No Em Cima da Hora das 20h de ontem, da Globonews, a Maria Beltrão teve a capacidade de dizer que "as circunstâncias do bombardeio ao palácio onde estava Allende ainda são desconhecidas". Hahaha. Cara-de-pau, não ela, coitada.

Tiago às 5:32 AM




Quarta-feira, Setembro 03, 2003 :::


Panelas virtuais

É desanimador tudo parecer merda por aqui. Aqui eu digo esse universo virtual, essa bosta toda. Quanta merda! Cedi à merda?

É cheio de eu pra cá, eu pra lá, eu isso, eu aquilo. Que vergonha essa insignificância toda.

Realmente entendo quem acha blog uma bosta. É verdade, é um monte de espaço pra se falar merda, pra contar da vida, pra ser o álter.

Na ficção, não há mais o que se fazer de novo. Já fizeram de tudo, e não acredite se disserem o contrário. A vida alheia é mais interessante...

Quem sou para alguém se interessar pelo que fiz, por onde andei, o que pensei?

Isso tudo tem um único fim: alimentar egos narcisistas, seja como meio alternativo de publicação para aspirantes a escritor, seja para jornalistas publicarem notícias (no fundo, o que está dito é "eu que fiz isso"), seja para nutrir qualquer orgulho individualista de auto-afirmação, pra aprender webdesign, pra treinar a escrita, pra colocar os demônios pra fora... mesmo assim, eu não deixa de ser o centro. Só presta pro próprio monstrengo que o criou. E pros amigos, e para os fãs. Pra quem mais?

Esqueci, não precisa prestar pra algo, é isso.


Tiago às 2:50 AM




Segunda-feira, Setembro 01, 2003 :::


Afetuosidade

Por mais que os tabus tenham sido debatidos à exaustão nas últimas décadas, muitos foram popularizados e assimilados por uma parcela maior da sociedade, mas o incesto, por exemplo, e a morte continuam sendo execrados do debate, ganhando espaço as questões homossexuais e transgêneras.

A questão da sexualidade suplantou o debate da troca de afetuosidade, fator muito mais relevante em se tratando de socialidade e civilidade - e por que não de Estado? Milhões de mal-amados padecem de problemas de carência afetiva crônica e dependem de personas aptas a elevarem-nos. Personas do dia-a-dia, do ambiente de trabalho, da vida pessoal, das clínicas psiquiátricas, levando em conta a seleção natural das afinidades. Há afinidades mínimas que pressupõem um elo comunicacional básico para as relações do cotidiano, mas há a problemática dos laços mais estreitos, às vezes escondidos até mesmo das próprias pessoas que os atam. Caso de quem convive há anos com as mesmas pessoas e não dispõe da menor intimidade para tocar num assunto mais escabroso ou incitador de embates de valores.





Tiago às 4:54 AM




Segunda-feira, Agosto 25, 2003 :::


Perigo de extinção



O termo "lésbica", que designa as mulheres que sentem atração sexual por mulheres, vem da ilha de Lesbos (ou Lesvos), a terceira maior da Grécia. É berço da poeta Sappho, que ocupou um bom tempo da vida em ode à deusa Afrodite, já no século VII a.C., através da música e de toda sua arte. Sappho viveu em Lesbos e possuiu diversas namoradas. É considerada por muitos estudiosos tão importante para a poesia grega quanto Homero. Foi casada com um importante mercador e foi estudiosa das artes. Mas isso não interessa, além de ser um resumo esdrúxulo do que realmente foi a obra e a vida dessa mulher.

A vasta obra poética deixada por Sappho inspira diversos grupos ativistas lésbicos até hoje.

Por que Sappho, Lesbos e essa coisa toda no Pinto hoje? É que sexta-feira, 22, ocorreu o primeiro casamento entre mulheres da América Latina em Buenos Aires. A notícia não teve qualquer repercussão, mas Pinto foi buscar na Argentina a foto da beijoca. Nesse outro link, uma reportagem sobre as mulheres que querem ser mães sem pinto nenhum!

Não pode! Pode?

Tiago às 12:51 AM




Quinta-feira, Agosto 21, 2003 :::


BIG (gang) BANG


O universo pode vir do big bang. Bang, a explosão, o início do fim. E nós aqui, no meio desse bang todo. Agora andam dizendo um papo de que o universo sempre existiu... não houve Big Bang coisa nenhuma... Descobriram a eternidade só agora, depois de tanto tempo.

O gang bang também não é de hoje. Imagina nós peludos morando numa caverna junto com um monte de gente tão peluda quanto e tendo que plantar e comer e procriar, solamente. Não havia a idéia de incesto, ao certo. As famílias não se constituíam como pai, mãe e filhos e ainda hoje algumas culturas designam os tios como "pais" e outras designações que podem soar bizarras para nós ocidentais, mas funciona como sistema social lá. O nosso funciona?

Não quero martamedeirizar nada. Eu vou é falar do gang bang, que se tornou um mercado na indústria da pornografia, o que é bang? Segundo o Folha Webster's, "pancada, estrondo, bater com ruído; Estrondear, martelar, detonar". O nome do troço só pode estar errado.

Gang bang anda designando suruba. Das sujas. Imagina uma dessas. Não suja de sujeira daquela p... toda. Suja de safada, violenta. Os bangers (praticantes do gang bang) podem agir em gangue, mas a gangue pode ser de dois. Tem quem faça bang sozinho, o lonelybanger.

Big bang. Nem se imagina uma coisa dessas. Ou sim?

Beware of bangers.


Tiago às 4:01 AM




Segunda-feira, Agosto 18, 2003 :::


Inteligência especial

Métis, a deusa engolida

Métis, ou a capacidade intelectual para a vida prática, é uma das características invisíveis que os RHs talvez nem saibam que prospectam. O termo métis vem da mitologia grega. Zeus engravidou Métis e para acobertar a safadeza da esposa Hera engoliu-a. Quem leva a fama da prudência hoje em dia é Atena, que é a Métis vomitada. Coisas mitológicas.

Repórter Pinto leu e recomenda o artigo de HERMANO ROBERTO THIRY-CHERQUES que trata dessa outra instância da razão.

Principalmente para quem trabalha.


A Górgona



Tiago às 4:21 PM




Domingo, Agosto 17, 2003 :::



DICIONÁRIO AURÉLIO
Subversão - 4. Perverter, corromper: subverter os costumes.

What's your price?

A Natasha é russa e trabalha e estuda em Moscou. Ela recebeu uma proposta por e-mail para participar de um filme pornô no Japão. A verba seria de US$ 50,000 (!) por uma semana de "filmagens" e garantia de distribuição exclusiva no Japão. No casting, uma romena, uma italiana, uma grega e um italiano.

No script, um voyer observa as melãozudas se "tocando".

Natasha observa que "people might stop visiting Mc donalds, trust banks, but they allways will watch P-O-R-N!". Ela está entusiasmada com a idéia, mas ainda cética: "Hope that was not somebody's FUCKING STUPID joke, coz i really count on this money".


Não se apaixonem, ela é perversa.


Serviço: quem se interessa pela idéia,
o contato é a Marcy.



Tiago às 6:18 PM




Sexta-feira, Agosto 15, 2003 :::



E por falar em Osho...

Fiz um projeto de página na Internet há três anos que nunca publiquei. Um dos conteúdos dela era o tal do Osho. Se alguém se interessar, é só clicar na foto abaixo, tem uma breve biografia que eu não sei de onde tirei, e lá tem um link prumas frases do cara (se tudo funcionar como deveria).



ó a carinha



Tiago às 10:07 PM



AGENDA CULTURAL BAIRRISTA

VÍDEOS NO OSHO CAFÉ

No próximo domingo, sol caído e chimarrão lavado, tem exibição de algumas produções cinematográficas no Café Osho, realizadas por alunos da Famecos/PUCRS e por seu professor Carlos Gerbase.
E tem festinha com DJ Guto Hayata.


Na programação:

"A senha" (2003/1) Direção Carolina Magalhães

"Loser´s past" (2003/1) Direção Cíntia Araújo e Francis Rigotto

"Desperto" (2003/1) Direção Letícia Jardim

"Verdade final" (2003/1) Direção Paula Gastaud e Mateus de Conto

"O abusado" (2003/1) Direção Camila Kieling e Nhandeci de Menezes

"Joca" (2002/1) Direção Mateus Dagostin Luz e Rafaella Manna

"Estacionados" (2001/2) Direção André Rocha e Cibela Haas


Dia 18 de agosto
às 18 horas
R$ 3
::: Osho Café :::
Rua Luiz Afonso, 330
Cidade Baixa, Porto Alegre
(51) 9153.0381
oshocafe@hotmail.com


Tiago às 7:59 PM




Quinta-feira, Agosto 14, 2003 :::



Todo pranto tem hora

Tem gente que não estuda, mas tem um talento nato. Aí trabalha a vida inteira em algo que não condiz com a genialidade só porque é difícil a genialidade ser galgada, raramente estimulada. Ainda morreu pobre... E era feio, o mestre Cartola. Homem de sorte? Fazer o quê?

"Rir pra não chorar"



Tiago às 4:36 AM




Quarta-feira, Agosto 13, 2003 :::



AS NOTAS CURTAS

As pessoas que fingem ser outra pessoa, como num blog, fingem ter outra personalidade, uma outra máscara lacônica, sintética, resumida. Dizem que tem que ser curto o texto para publicar aqui. Deve ser, só sei que eu tou completamente perdido no que fazer disso aqui. Que as pessoas passem, vejam algum sloganzinho imaterial e achem que é bom. Porque tá na moda, tem milhões de blogueiros e cada um é só um; aqui, por exemplo, eu não fiz nada ainda praticamente, porque a inpressão que eu tenho que é só eu achar alguma coisa que me dê dinheiro que eu páro de escrever isso aqui. É de uma natureza individualista extrema possuir e alimentar um troço desses na rede.

Provavelmente eu vá citar um que outro no meio do texto, como um blog que eu achei no blog da Patrícia, o Naodiscuto. A Meg que eu achei lá é uma amante declarada de blogs. A danadinha tá realizando um concurso de textos curtos. O primeiro lugar leva um DVD e o texto deve seguir o estilo da Prosa microscópica ou microscopia da prosa, e leva o nome de Haroldo Maranhão, segundo ela um escritor banido ou esquecido desmerecidamente.

Os sebos, ah os sebos.

Ela recebe os textos até o dia 25 de agosto. O resultado sai 15 dias após o encerramento das inscrições.







Tiago às 1:44 PM



Notas do Repórter Pinto*:

1) Pinto deseja que todos façam (ou tenham) muito amor e sejam muito felizes;
2) Pinto só quer crescer e escrever mais e melhor;
3) Mande um email caso ache algo desastrosamente medíocre e delirante.
Obrigado.

*Pinto pode mudar de nome a qualquer momento, principalmente depois que o Índio me disse que há um Detetive Pinto num programa da Playboy TV.



Tiago às 2:00 AM




Segunda-feira, Agosto 11, 2003 :::



Hello Swingers, here I go (just to watch it, of course)

O Repórter Pinto não é mole e está pleiteando uma visitação discreta e anônima à casa que consagrou a prática de Swing em Porto Alegre, o Sofazão. Rezaremos para que um dia nos deixem conversar com os participantes sobre tudo o que fazem ali (ou fora), e até quem sabe relatarmos as fantasias inconfessáveis dessa nova dinâmica sexual.


O Repórter Pinto penetrará o ultramundo das fantasias pervertidas assim que obtiver aceitação dos leitores. Esse veículo foi concebido em caráter individual, empírico, até onde se permitir revelar as entranhas libidinosas dos monstrengos seres sapiens. Tem quem prefira que não se fale nesses tesões diversos, que isso vai contra a ordem social estabelecida. Não que o Pinto vá participar dessas orgias em nome da escrita de textos. Não esqueça: tudo é ficção. O que se quer é criar caso.



Tiago às 3:24 AM

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